quinta-feira, 20 de setembro de 2012

O relógio não para

Sonhos marados
Ideais abafados
Olhas pa traz onde é
Que os teus sonhos foram trocados?

Meio atormentado
Do riso já habituado
Não queres ser radical
Mas já te sentes frustrado

No teu dia a dia
Deixas de sentir acção
Procuras algo mais
Mas já nem sentes excitação

É só repetição
Dás por ti na reflexão
Será que trocas as voltas
Será que sigo o sermão?

Tinhas o desejo de correr
Por um mundo diferente
Paraste na rotina
Isso já é mais que evidente

Tenta ser ausente
Ou ser mais persistente
Onde ficou a garra
Deste ser resistente?

Ficou na simplicidade
Deixa de lado o que não é novo
Leva-te de volta à vaidade
É só tua a realidade

É bom que te mexas
É assim mesmo a verdade
 O relógio não para
Um dia há-de ser tarde

A tua chama ainda arde
Com intensidade
Não é cobarde mas
Caiu na conformidade
Volta acender antes que ela se apague

Não quero ver isso acontecer
Quando olhares para traz
Nem te viste envelhecer
Encostado à preguiça
Ficou lá o poder
Um dia vais querer
Sem ter força pro fazer

Onde foi que paraste
As batidas do teu coração?
Deixaste de sentir a ânsia
Ficaste parado na ilusão
Que as coisas duram para sempre
Porque contigo é diferente
Se alguém te diz o contrario
Esse alguém é doente

Onde foi que paraste
As batidas do teu coração
Deixaste de sentir tremer
Deixaste de querer correr

Num mundo já habituado
Olho pra ti, com olhar castigado
Irritado por estar conformado
Pouco a pouco a ser espicaçado
Sentes-te revoltado, olha em volta
Tudo o que ficou de lado,
Não podes estar descansado,
Sabes que desta vez vais ficar acordado
Não vais mais ser enganado por querer o passado
Porque o relógio não para
E tu também serás alcançado!